O resultado das votações desta semana não constitui, em si, qualquer surpresa pois, como é consenso geral entre os professores, o programa da nossa disciplina é demasiado extenso para ser leccionado no âmbito da carga horária atribuída (90+45).

Mas, será que isso é uma inevitabilidade?

Muito sinceramente cremos que não! Temos de atentar que os alunos do segundo ciclo (jovens, na sua maioria, entre os 10 e os 11 anos) estão num estádio de desenvolvimento em que não é grave “dar saltos” no tempo.

Assim sendo, “dar o programa” implica necessariamente gerir o programa, isto é, por um lado, fazer opções, seleccionando muito criteriosamente os conteúdos e os conceitos fundamentais (que permitam ao aluno adquirir os conhecimentos essenciais e desenvolver as competências previstas); por outro lado, a esta gestão deve acrescer o uso de metodologias diversificadas (há conteúdos que poderão ser leccionados em trabalho de grupo, outros em que se pode recorrer a uma aula mais participativa com recurso às novas tecnologias e outras ainda em que se terá de recorrer a métodos mais expositivos que, a nosso ver, também têm o seu lugar na prática lectiva).

Recorrer apenas ao método expositivo para leccionar todo o programa radica na ideia que este tem de ser leccionado atribuindo a cada conceito e/ou conteúdo o mesmo grau de importância e um número de aulas razoável.

Como já tivemos ocasião de afirmar, gerir o programa implica fazer opções, leccionar os conteúdos fundamentais que permitam o desenvolvimento das competências.

É aqui que o manual tem um papel importante a desempenhar. É óbvio que o manual apresenta uma proposta de gestão do programa. Mas deve ser construído de forma a permitir que os professores consigam programar o seu trabalho visando leccionar o programa e, simultaneamente, possibilitar o desenvolvimento da autonomia dos alunos, potenciando o seu trabalho autónomo.

É neste contexto, neste quadro referencial, que este projecto ganha sentido acrescido. Auscultar o maior número possível de professores, integrar o maior número possível de sugestões será, estamos certos, a melhor via para a construção de um manual mais adaptado à realidade concreta da sala de aula, isto é, às efectivas necessidades de professores e alunos.

Sobre estas características, sobre estas ideias orientadoras, gostaríamos de poder contar com a vossa participação e reflexão, estimulando uma discussão que se quer muito participada no decurso das próximas semanas.

A Equipa