Como tivemos oportunidade de referir no post A ICONOGRAFIA NO MANUAL DE HISTÓRIAE GEOGRAFIA DE PORTUGAL, a disciplina de História e Geografia de Portugal,
pela sua natureza, vive bastante do uso de alguns elementos iconográficos (fotografias, ilustrações, mapas, gráficos, …).
Esta semana apresentamos um trabalho relativo à iconografia do manual, já quase acabado, através de seis exemplos – três de ilustrações históricas e três de infografias.
As ilustrações históricas que disponibilizamos representam as primeiras comunidades recolectoras, o contacto com os povos mediterrânicos e a lenda do Rei Ramiro.
As infografias representam a rosa-dos-ventos, os povos agro-pastoris na Península Ibérica e os locais de origem e itinerário dos povos do Mediterrâneo até à Península Ibérica.
Eis alguns textos relacionados com os elementos iconográficos acima referidos e similares aos que constam do novo manual de HGP de 5.º ano.
As primeiras comunidades recolectoras
Os primeiros homens viviam do que a Natureza lhes dava – eram recolectores. Apanhavam folhas, frutos e raízes, caçavam animais, pescavam nos rios e no oceano. Fabricavam utensílios de pedra e de osso para defesa e para os auxiliar nas suas tarefas. Eram também nómadas, o que significa que se deslocavam para outras regiões sempre que os recursos alimentares se esgotavam. As primeiras comunidades formaram-se quando o Homem descobriu que, vivendo em grupo, podia obter o que necessitava mais facilmente.
O contacto com os povos mediterrânicos
Os recursos naturais da Península Ibérica atraíram, há muitos séculos, povos que viviam noutras paragens, ao redor do Mar Mediterrâneo.
Este mar, devido à facilidade de navegação nas suas águas calmas, permitiu que os povos que habitavam as suas margens o percorressem seguindo vários itinerários e fizessem viagens muito longas.
Foi o caso dos Fenícios, dos Gregos e, mais tarde, dos Cartagineses, que, navegando próximo da costa, foram trocando, com os povos que iam encontrando, produtos que traziam das suas terras. O comércio foi, então, a razão principal da deslocação destes povos ao longo do Mediterrâneo até terras tão longínquas.
Lenda do Rei Ramiro
Conta a lenda que, no século X, o Rei Ramiro II, de Leão, certo dia, ao banhar-se na margem norte do rio Douro, avistou uma formosa princesa moura. Tratava-se de Zahara, irmã de Alboazer Alboçadam, senhor de toda a terra desde Gaia a Santarém e que manteve várias guerras com os cristãos, especialmente com o Rei Ramiro.
O rei cristão, perdido de amores pela bela princesa moura, resolveu fazer as pazes com Alboazer e pedir-lhe a mão da princesa. Alboazer respondeu-lhe:
– Tu tens mulher e filhos e és cristão!… Como podes tu casar duas vezes?
D. Ramiro respondeu-lhe que, como ele e a mulher eram parentes, a Santa Madre Igreja separá-los-ia facilmente.
Alboazer, então, jurou-lhe que não lhe daria a irmã nem que em troca ele lhe oferecesse todo o seu reino, até porque a tinha prometido ao rei de Marrocos. Ramiro fingiu que se conformava com a decisão; contudo, certa noite, organizou uma expedição e raptou a princesa moura.
Alboazer, ofendido, resolveu vingar-se. Com os seus homens, atravessou o rio e, bem camuflados, raptaram a rainha D. Aldora e algumas donzelas.
Quando D. Ramiro soube do rapto, chamou o seu filho D. Ordonho e muitos outros cavaleiros e partiram. Chegaram a Gaia a coberto da noite e o rei ordenou que todos ficassem bem escondidos, e que só dali saíssem quando ouvissem soar a sua trompa de caça. De madrugada, vestiu-se como pedinte e, numa fonte, perto do castelo, encontrou uma serva de D. Aldora que enchia um cântaro de água para levar à sua senhora. D. Ramiro pediu-lhe um pouco de água e deixou cair dentro do cântaro o seu anel.
D. Aldora, ao ver o anel, percebeu que o marido estava perto. Manda-o buscar e esconde-o nos seus aposentos. Em seguida, avisou Alboazer, por quem se tinha apaixonado.
D. Ramiro foi capturado e Alboazer perguntou-lhe o que faria ele se estivesse no seu lugar. D. Ramiro respondeu-lhe que o obrigaria a soprara trompa até morrer.
Alboazer ordenou que D. Ramiro tivesse o fim que ele próprio concebera. Foi o que D. Ramiro quis ouvir. Quando soprou a trompa, os seus homens, tal como combinado, entraram no castelo e atacaram as tropas desprevenidas do rei mouro. D. Ramiro matou Alboazer e levou a rainha e as suas donzelas de regresso.
Já navegavam há algum tempo quando repararam que a rainha chorava, mirando Gaia. D. Ramiro perguntou-lhe porque chorava e ela respondeu-lhe:
– Miro Gaia, onde tão ditosa fui.
O rei, furioso, disse-lhe:
– Pois mira Gaia! – e trespassou-a com a espada.
Segundo a lenda, é por isso que aquele local ainda agora se chama Miragaia. Outra versão da lenda conta que o rei mandou que a amarrassem a uma âncora e a atirassem ao rio. Desde então esse local passou a chamar-se Foz de Âncora.
O rei Ramiro voltou para Leão onde se casou com a princesa Artiga, de quem teve uma vasta e nobre descendência.
Pronuncie-se a respeito dos recursos iconográficos disponibilizados, através do link “COMENTAR”.
A Equipa
Comentários (2)
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| Enviado Por: Graça Maria da Cruz Lourenço Fonseca
Magníficas ilustrações
| Enviado Por: Sónia Pais
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