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No 2.º ciclo é muito cedo para os alunos dizerem que não gostam de Matemática!
Inserido em 2012-12-12  |  Adicionar Comentário

É um lugar-comum afirmar que as primeiras experiências que as crianças têm na escola, nomeadamente com a Matemática, podem influenciar o seu percurso escolar. Apesar de ultimamente a relação dos alunos dos primeiros anos com esta disciplina ter vindo a melhorar, o medo da Matemática ainda é uma realidade e uma boa parte das crianças considera-a uma disciplina difícil e enfadonha.
Há a ideia de que a Matemática é só para bons alunos, ideia que é também partilhada por pais, que aceitam por vezes como uma fatalidade que os seus filhos não gostem e não aprendam.

Mas será que tem de ser assim?

Será que a principal razão da aversão à Matemática vem da própria Matemática? Ou vem do método de ensino?

Será que vem do modo como se encara a Matemática na escola?

                                         

 


As experiências negativas com a Matemática na escola são frequentemente causadas pela falta de entendimento, num processo em que o aluno vai aumentando o receio de errar, diminuindo a autoestima e culminando, mais tarde, num bloqueio a tudo o que tenha que ver com Matemática.

As Metas Curriculares de Matemática estão aí, os professores têm este ano para se prepararem. É dito que compete aos professores escolher os métodos de ensino. Na verdade, sempre foi assim. Mesmo com o Programa atual, que preconiza partir da resolução de problemas significativos para a aprendizagem, muitos professores ensinam primeiro e utilizam os problemas depois para aplicação. A descontextualização dos conceitos nas primeiras abordagens também não foi banida e o recurso a materiais e à comunicação também nem sempre tem sido uma prática comum nas salas de aula de Matemática.

Mas para cumprir algumas das Metas que método é aconselhado?

Vejamos este exemplo retirado dos Cadernos de Apoio às MCM com a respetiva resolução:


As crianças a quem se destina este problema, como muitos outros do mesmo tipo apresentados no Caderno de Apoio para o 5.º ano, têm apenas 10 anos.

Qual é o método do professor que resiste a algumas destas MCM? Voltar a ensinar Matemática para se responder a provas e fazer exames não é certamente o caminho!

Como é que um professor poderá despertar o interesse pela Matemática, sem que esta seja apresentada separada da vida, abstrata e complicada? Como vamos evitar que sentimentos negativos atinjam crianças capazes e inteligentes?

São perguntas que vos fazemos enquanto as fazemos a nós próprias, neste nosso trabalho de reformulação dos manuais, que deve sempre ter em conta o trabalho que os professores irão desenvolver na sala de aula a partir do próximo ano letivo.


A Equipa

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Comentários (2)
(Comentário mais recente)
| Enviado Por: sandra
Os cadernos de apoio vêm explicitar o que se pretende com cada meta que nem sempre era muito percetível. Concordo com a Inês porque as metas não estão adaptadas a crianças com 10/12 anos. Conforme o exemplo apresentado pelas autoras é surreal pensar que uma criança com esta idade vai compreender uma explicação deste género! O que podemos fazer para ultrapassar estes obstáculos que vão estar presentes no nosso dia-a-dia? Como vamos ensinar os alunos com compreensão dos conteúdos? Penso que emerge um enorme desafio aos professores... [Comentário completo]
Ao ler as Metas e os respetivos cadernos de apoio percebi melhor a perspectiva dos autores relativamente ao ensino da matemática no ensino básico. Um ensino que deverá ser pautado por um formalismo desde muito cedo e por uma descontextualização radical na abordagem dos conceitos. Parece existir uma preocupação de hierarquização dos conteúdos de modo a que nada “falhe”, apesar de aparecerem conceitos entre “ ” (visto, referem, não serem passíveis de ser definidos rigorosamente ao nível a que se destinam). Há bastantes definições para serem aceites e serem a base de outros assuntos que se seguem. Tudo bem, se as Metas se destinassem ao ensino de crianças mais velhas! No 2º ciclo? É grave! Porquê estas Metas assim? Contrariam em tudo o que em termos curriculares se faz internacionalmente nos países mais evoluídos em termos de educação matemática! Pergunto-me: será ignorância acerca dos destinatários? Qual é mesmo o objetivo? [Comentário completo]