ESTRUTURA-BASE DO MANUAL
Em discussão até 2009-11-15  |  Adicionar Comentário

Quando um professor pensa no modo como irá promover a aprendizagem dos seus alunos num determinado tema, pensa em certas acções que determinarão o seu ensino e que têm uma intenção muito concreta:

- Iniciar um novo tópico? Desenvolver um dado assunto ou capacidade? Consolidar uma determinada aprendizagem? Avaliar?

De acordo com os objectivos que se propõe, traçará um plano de acção:

- Que tipo de tarefas apresentarei na aula? Como vou organizar o trabalho dos alunos?
Qual vai ser o meu papel?


O que é uma tarefa?

Podemos considerar que uma tarefa pode ser um problema, um exercício, um projecto, que os alunos se empenharão em resolver de modo a desenvolverem o seu conhecimento matemático.

Na tentativa de resolução, os alunos mobilizarão conhecimentos que já possuem e podem deparar-se com dificuldades ou até não conseguir resolver, em parte ou na totalidade, a tarefa. O professor terá, então, um papel importante, questionando, dando dicas, alertando para este ou aquele aspecto, fazendo ligações a outros tópicos relacionados, propondo problemas mais simples, ajudando o aluno a ultrapassar os obstáculos e a levar a bom termo a tarefa.

Nesta perspectiva, uma só tarefa não chega para que o aluno aprenda um novo tópico, até porque em matemática os conceitos estão interligados, formando uma teia cuja consistência depende do modo como foi tecida. Haverá, então, a necessidade de pensar numa cadeia de tarefas com objectivos comuns e que à partida seja um garante de eficácia.

Mas a escolha das tarefas e a sua sequência, porque é delas que vai depender a aprendizagem, nem sempre é fácil e não é única. Traçar uma trajectória de aprendizagem é definir um conjunto de situações que supomos que os alunos, durante a sua resolução, irão aprender. Mas, por vezes, isso não acontece, ou poderá não acontecer com todos os alunos, e não acontece, de certeza, do mesmo modo com todos eles. Como fazer? Como ajudar os alunos com mais dificuldades? Como, por outro lado, proporcionar, aos alunos mais avançados, condições que lhes permitam ir mais além?


Cadeias de tarefas

Cadeia de tarefas é uma sequência de tarefas com um objectivo comum. Por exemplo, quando pensamos no desenvolvimento da noção de fracção, teremos de pensar no modo como iniciar: será com uma tarefa de partilha equitativa (fracção como quociente)? Com uma relação parte-todo (uma figura dividida em partes iguais e uma parte pintada)? Como operador sobre um conjunto discreto? E, depois, como passar do problema para a representação simbólica e as operações com fracções?
E a relação com a representação decimal? Como fazer compreender que 3,42, por exemplo, não é o número que se segue a 3,41? Não há respostas únicas para este tipo de questões, nem são únicos os planos de acção.

Compete ao professor seleccionar e organizar as tarefas, de modo a adequá-las aos seus alunos e aos objectivos que se propõe e, claro, reflectir depois sobre o que aconteceu aquando da sua implementação com os alunos: que estratégias usaram na resolução do problema? Que dificuldades tiveram? Como é que intervim? O que vou alterar para a próxima vez? Que seguimento vou dar a esta aula?

Enfim, não fosse a nossa profissão uma profissão de “risco”, no sentido em que não há certezas absolutas, tudo seria fácil! Mas não é!


Estrutura-base do manual

Este manual foi concebido a pensar nos alunos, a quem se destina, de modo a possibilitar um estudo cada vez mais autónomo. Pretende ainda ajudar os professores a promoverem aprendizagens com sentido, reflectindo o mais fielmente possível as orientações programáticas do NPM. Ao professor competirá aproveitar as tarefas propostas no manual e outras, como as sugeridas no Guia do Professor, para planificar o seu plano de acção, que não tem, evidentemente, de coincidir com a sequência proposta no manual.

Propomos, para cada novo tópico, sequências de tarefas, muitas delas experimentadas em salas de aula do 2.º ciclo. Estas tarefas estão organizadas de acordo com um grau crescente de dificuldade, seguindo, de um modo geral, um percurso que vai do informal para o formal: apresenta-se um ou mais problemas em contexto, onde os alunos poderão, dependendo do caso, resolver através de esquemas pessoais, seguidos de tarefas onde a ênfase poderá ser nas representações simbólicas e na resolução de situações mais complexas.

As regras, as propriedades, os algoritmos são um aspecto importante no currículo e pretende-se que os alunos as compreendam para que as apliquem quando necessário. Por isso, sempre que se justifica, existirá um destaque onde é feita uma sistematização de regras, propriedades, etc., sendo quase sempre, previamente, solicitado ao aluno a sua descoberta.

O NPM salienta, como capacidades transversais, a resolução de problemas, o raciocínio e a comunicação. O desenvolvimento destas capacidades implica que as tarefas incluam problemas, impliquem raciocínio na sua resolução e sejam desencadeadoras de uma real comunicação e interacção entre os alunos e entre eles e o professor.

No final de cada sequência de tarefas existirá sempre a aplicação dos conhecimentos adquiridos a outros problemas e prática.

O manual integra, exclusivamente para o Professor, sugestões metodológicas e outras indicações úteis, além de remissões para o Guia do Professor, que conterá indicações/sugestões mais desenvolvidas.

As novas exigências da sociedade actual já não se compadecem com um ensino exclusivamente expositivo, onde o professor explica a matéria e os alunos ouvem.
Um ensino centrado em sequências de tarefas, potencialmente ricas do ponto de vista matemático e da criação de dinâmicas interactivas, pode tornar as aulas de matemática em verdadeiros laboratórios de matemática onde se aprende fazendo e pensando.


Em anexo, exemplificamos a estrutura-base do manual.

O que pensa sobre a nossa proposta?

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A EQUIPA

Comentários (15)
(Comentário mais recente)
(Não sei se estou a repetir algum comentário, porque não os li todos.) As razões do comentário ao número de cachorros ou de cães repetem-se, a meu ver, no caso dos micróbios. É uma pena não tratar expoentes inteiros: o exemplo dos micróbios tornaria fácil a compreensão do expoente zero. É claro que as tarefas complementares tinham que partir sempre da unidade...
Olá, Dora!
Obrigada pela sua participação. O manual do aluno está ser concebido numa perspectiva de ser útil ao aluno, para que possa estudar e ir assim desenvolvendo autonomia. O professor pode sempre explorar na sala de aula as tarefas como muito bem entender, adequando-as às suas turmas. Se as tarefas têm potencialidades de exploração por parte dos alunos, achamos muito bem (...)
[Comentário completo]
Concordo inteiramente com a posição da equipa, mas quanto às tarefas apresentadas, gostaria que a dos cães e as dos números quadrados fossem transformadas em tarefas de exploração/investigação e que a partir da sua exploração fossem então apresentadas formalmente as potências. A título de exemplo: Tarefa dos cães: Para além do texto existente. Existe alguma regularidade? Consegues d (...) [Comentário completo]
Concordo com a estrutura do manual assente numa sequência organizada de tarefas dirigidas aos alunos com grau crescente de dificuldade e com sugestões metodológicas e outras indicações para o professor. Sobre a sequência apresentada, li alguns pareceres que não compreendi totalmente, mas não há dúvida que todos os cãezinhos mães e filhos são dados por 3 x 3 x 3 e que a pergunta fina (...) [Comentário completo]
| Enviado Por: Sandra
Gostei do grafismo, dos apontamentos à margem para o professor, que penso deverão ser abundantes e ricos em clarificações e conexões... A tarefa dos micróbios deixa-me insegura. Entendo perfeitamente o objectivo da tarefa, apenas me questiono sobre a pertinência deste contexto para os nossos alunos de 9-10 anos. Em anos lectivos transactos experimentei uma tarefa semelhante mas, em (...) [Comentário completo]
| Enviado Por: Helena Rodrigues
Para mim, a 1.ª tarefa da cadeia é a forma de, utilizando os conhecimentos anteriores dos alunos, estes chegarem à conclusão que há problemas que se resolvem por produtos de factores iguais. O que se segue é a informação de que esses produtos se podem representar de uma forma especial que eles ainda não conheciam. A seguir está explicada a parte teórica do conteúdo. A sequência de t (...) [Comentário completo]
| Enviado Por: Ricardo Poças
Na sua generalidade a sequência das situações está bem organizada e gradual. No entanto, e indo ao encontro do que pretendem ser um trabalho mais autónomo por parte dos alunos na exploração do manual, penso que podem colocar algumas questões mais desafiadores ou em algumas questões menos respostas. Por exemplo, no caso dos micróbios, poderiam questionar não apenas ao fim de 27 horas (...) [Comentário completo]

Caros colegas!
Na verdade, podemos considerar que a pergunta necessita de rectificação, atendendo ao facto de querermos chamar a atenção para a potência: três ao cubo; não há, por isso, necessidade de pedir quantos cães são ao todo, o que engloba as mães e as crias. A pergunta terá de ser "quantos cachorrinhos têm no total os 3 amigos?", pois se perguntarmos quantos cães eles (...) [Comentário completo]

Ainda sobre os cachorros, para mim a resposta é óbvia, mas para uma criança de 10 anos cuja primeira grande dificuldade é interpretar um enunciado, será? Acredito que testando esta questão em alunos da faixa etária a que se destina, encontraríamos uma quantidade significativa de respostas três ou nove. Ou seja, com esta questão o professor não terá como perceber se o aluno não apree (...) [Comentário completo]
Tarefa dois | Enviado Por: carmo
A cadeia de tarefas apresentada é muito interessante para o desenvolvimento do tópico. No entanto, parece-me que a tabela da 2.ª tarefa deveria ter a 2.ª, 3.ª e 4.ª colunas vazias, visto o esquema lateral dar indicação suficiente para o seu preenchimento. Não estaremos assim a dirigir demasiado os alunos? Votos de continuação de um bom trabalho!
Gostei do que vi neste post e tarefas. Parabéns equipa! Surpreendeu-me o comentário feito pelo colega Nuno Vieira...! Relativamente ao enunciado 1, já manifestou a sua discordância o colega António Santos, a qual subscrevo, e reforçando o que referiu: os cães dos três amigos não serão com certeza 3! Relativamente à figura 3 da questão com o mesmo número, pede-se o número de quadradi (...) [Comentário completo]
Tarefas | Enviado Por: António Santos
Considero que as tarefas apresentadas são diversificadas e estão bem estruturadas. Discordo do colega Nuno Vieira quando se refere à "tarefa dos cães": de facto, cadelinhas e cachorrinhos não deixam de ser cães, sobretudo quando considerados no seu conjunto, como é o caso. Além disso, "no total" - expressão bem visível no enunciado -, os cães dos três amigos não serão com certeza 3! (...) [Comentário completo]
As tarefas propostas são bem diversificadas, alternando entre o apelo a um raciocínio assente no concreto e o recurso à abstracção. No entanto, o texto deveria ser mais cuidado. No enunciado um, por exemplo, refere-se que os três amigos têm três cadelinhas. E pergunta-se quantos cães têm? Assumindo que as cadelinhas são cães, a resposta é três! Outro exemplo está na figura três da q (...) [Comentário completo]
| Enviado Por: Conceição Tavares
Penso que a forma de exploração de um determinado tópico, recorrendo a uma sequência de tarefas, lógica e estruturada, é bastante positiva permitindo, assim, que o aluno, gradualmente, compreenda o conceito em estudo e que se torne significativo para ele. Agrada-me esta estrutura. Uma questão: Quanto à sistematização de regras, propriedades... referem que existirá um destaque para q (...) [Comentário completo]
As tarefas apresentadas, bem como a paginação estão de parabéns. Gostei bastante da apresentação, das imagens, do modo como se aborda o conceito de potência, da contextualização apresentada. Penso que se está no bom caminho para construir um manual de qualidade! Uma questão... como vão inserir os exercícios de aplicação? Nas partes laterais? No final dos capítulos? Boa continuação d (...) [Comentário completo]