
Os princípios educacionais que enquadram o novo programa, assim como a ênfase que é dada ao conjunto das capacidades transversais que o atravessam, vão implicar da parte do professor de Matemática um desafio. Provavelmente implica que centre mais o seu ensino no trabalho dos alunos. Como?
Por exemplo, através de uma diversidade de tarefas significativas e dando às crianças oportunidade para explicitarem o modo como pensaram e resolveram. Quando um aluno não consegue resolver uma dada tarefa, em vez de se passar de imediato à explicação da sua resolução, sugere-se que se questione o aluno, de modo a fazê-lo pensar sobre aspectos que o professor considera importantes. Muitas vezes esta atitude faz com que a criança pense em novos caminhos e consiga encontrar uma resolução. Pode ser considerada uma forma de o obrigar a pensar, a relacionar (as relações são fundamentais em Matemática) e a comunicar quando tenta encontrar uma resposta à pergunta do professor.
Outro aspecto que nos parece fulcral é incidir mais nos conceitos e ideias matemáticas do que nos símbolos, muitas vezes desprovidos de significado para os alunos. A ligação entre os símbolos e as ideias parece-nos a nós tão simples, mas para a criança que pela primeira vez se depara com um novo símbolo pode ser complicado e não é imediato que o relacione com a ideia subjacente. Por exemplo, a fracção ¾ é interpretada como os números 3 e 4 com um «risquinho» no meio.
Outro aspecto fundamental é a estimação e o cálculo mental, porque ajudam ao desenvolvimento do sentido do número.
A avaliação é ainda outro aspecto em que o programa, dando-lhe uma dimensão não exclusivamente classificativa mas também formativa, faz incidir as práticas do professor, uma vez mais, na procura do envolvimento dos alunos na resolução de problemas, incentivando a comunicação tanto oral como escrita.
Deixe-nos o seu comentário sobre as implicações do novo programa no modo como se ensina matemática, usando o botão «COMENTAR».
Deve ter havido algum equívoco, pelo qual pedimos desde já as nossas desculpas. O nosso comentário tinha como objectivo reforçar a sua ideia quanto à importância da resolução de problemas, nomeadamente, a sua morosidade. Concordamos consigo quando refere que o ensino baseado na resolução de problemas ainda é fortuito, mas acreditamos que possa ser cada vez mais (...) [Comentário completo]
A leitura atenta do vosso comentário levou-me a pensar que fui mal interpretado ou, então, que era um mero comentário do senso-comum. Eu não referi, em momento algum, que se perdia tempo! Pelo contrário, considero que é uma metodologia muito fortuita. Também eu considero que não é através do ensino bancário, como Paulo Freire tão bem o apelidou, que os alunos aprendem m (...) [Comentário completo]
Obrigado pelos seus comentários. Sem dúvida que os professores sempre questionaram e continuam a questionar os seus alunos sobre o modo como resolvem as tarefas. Mas, todos sabemos que existem diferentes formas de questionamento, por exemplo, fazer perguntas focalizadas, para confirmar, inquirir! Será que temos a preocupação de contemplar estas diferentes f (...) [Comentário completo]
Agradecemos os seus comentários e começamos por nos reportar à questão que nos coloca relativamente a uma prática baseada na resolução de problemas. Na nossa opinião, por vezes, parecendo que se perde tempo, ganha-se tempo! É que, partindo da resolução de problemas, na tentativa da sua resolução, os alunos irão mobilizar conhecimentos que já possuem e, assim sen (...) [Comentário completo]
Olá, Sílvia Alves!
[Comentário completo]Concordamos quando refere que as mudanças não passam só por metodologias do professor. Sem dúvida que são necessárias muitas outras mudanças e pertinentes as que refere. No entanto, a avaliação feita pelo ME (com limitações óbvias) tem como objectivo avaliar as escolas, através dos desempenhos apresentados pelos alunos, e não os alunos. Portanto, podemos e (...)
Concordo plenamente com o artigo. No entanto, as mudanças não passam só por metodologias do professor. São necessárias muitas outras mudanças, nomeadamente culturais, na imagem que a escola e os saberes académicos representam para a sociedade; sociais, no reconhecimento do papel importante do professor e o respeito que este merece; mudanças estruturais, pelo n.º elevado de alunos (...)
[Comentário completo]