NOVO PROGRAMA: O QUE HÁ DE NOVO?
Em discussão até 2009-09-27  |  Adicionar Comentário







Em 2007 foi aprovado o novo programa do ensino básico. Este documento irá constituir uma referência indispensável ao ensino da matemática alargando o espectro das experiências matemáticas dos nossos alunos, o que implicará, sem dúvida, um desafio aos professores.

Numa análise profunda do programa anterior (1990/91) e do novo programa, não encontramos ideias fundamentais muito diferentes; encontramos, sim, realces a aspectos fulcrais da educação matemática e uma forte coerência de princípios ao longo dos três ciclos de escolaridade, apresentando finalidades e objectivos comuns.

Este novo programa defende uma articulação entre ciclos valorizando três capacidades transversais: a resolução de problemas, o pensamento matemático e a comunicação.

Relativamente aos temas matemáticos, no 2.º ciclo o programa organiza-os em quatro áreas: números e operações, álgebra, geometria e organização e tratamento de dados.


Capacidades transversais

A aprendizagem da matemática inclui, para além dos conceitos, técnicas e procedimentos, um vasto leque de capacidades e processos. Há mais de 30 anos que as comunidades nacional e internacional da educação matemática reconhecem que a resolução de problemas deve ser o cerne das aprendizagens dos vários tópicos do currículo. No entanto, a perspectiva de partir da resolução de problemas para o início da abordagem dos temas é relativamente recente. Bons problemas, especialmente escolhidos para um determinado assunto, permitem experiências de aprendizagem ricas e significativas. A explicitação das estratégias de resolução e a sua partilha com os colegas é um dos passos do ensino através da resolução de problemas, a que se seguirá a formalização e a prática, sendo fundamental a flexibilidade do cálculo escrito e mental.

Deste modo, a comunicação escrita e oral dos alunos torna-se parte integrante deste processo, permitindo aos alunos argumentar e assim organizarem o seu próprio pensamento, comparando o seu modo de pensar com o dos colegas e com o do professor, que tem, evidentemente, um papel fulcral na gestão da comunicação.

As representações matemáticas constituem uma parte importante da aprendizagem; saber relacioná-las e pensar sobre elas vai permitindo a apropriação consciente da sua relação com os conceitos e as ideias a que dizem respeito. A matemática não se resume, como infelizmente ainda alguns consideram, a uma série de regras e de contas. Ela é uma disciplina escolar do ensino básico que promove o desenvolvimento do pensamento matemático, indispensável para o prosseguimento de estudos em qualquer área do saber.


Conteúdos matemáticos

Apesar de os temas matemáticos do novo programa serem semelhantes aos indicados pelo currículo nacional, distinguem-se dos programas anteriores na medida em que se valoriza:

1. a organização e tratamento de dados;
2. a álgebra, enfatizando a importância do desenvolvimento do pensamento algébrico;
3. os números e as operações numa perspectiva do desenvolvimento do sentido do número;
4. a visualização e as transformações geométricas com o intuito de se desenvolver o sentido espacial na geometria.

Nos números e operações surge como novidade, dentro do tópico “números naturais”, o estudo dos números primos e compostos, a decomposição em factores primos, o mínimo múltiplo comum e o máximo divisor comum de dois números, os critérios de divisibilidade e a multiplicação e divisão de potências, este último tópico relegado para o 6.º ano. No tópico dos números racionais não negativos surge pela primeira vez uma abordagem às fracções, atendendo aos seus diferentes significados (quociente, relação parte-todo, razão, medida e operador), a ênfase às diferentes representações dos números (fracções, decimais, numerais mistos), a sua conexão e relação com a percentagem. Foca-se também a importância da reconstrução da unidade a partir de uma parte.

Na geometria, enfatiza-se a visualização e aparecem as simetrias com o propósito de se trabalhar as noções e as propriedades das reflexões, rotações e translações. O estudo dos ângulos alarga-se aos ângulos complementares e suplementares, verticalmente opostos e alternos internos. A soma dos ângulos externos de um triângulo é outra novidade e ainda as relações entre elementos de um triângulo: qualquer ângulo externo é maior do que qualquer dos ângulos internos não adjacentes; ao maior ângulo (lado) opõe-se o maior lado (ângulo).

A álgebra surge como um novo tema matemático a ser abordado explicitamente no 2.º ciclo. Sob o tópico “relações e regularidades”, é dada ênfase ao trabalho com padrões, sequências e regularidades.

Na organização e tratamento de dadossurge como novidade o trabalho com gráficos de linha e o diagrama de caule-e-folhas e o estudo dos extremos e amplitudes, havendo uma atenção mais focada do que anteriormente no pensamento probabilístico.

Na fase de transição entre o anterior programa e o novo programa (durante o presente e os próximos dois anos lectivos), há temas que terão de ser abordados no 5.º ano e que pertencem ao 1.º ciclo.

A este propósito, veja o recurso com informação-síntese, que disponibilizamos em anexo (e também em "Recursos de Apoio"), e diga-nos como prefere que os conteúdos de transição sejam abordados neste manual. 

A EQUIPA

Em sua opinião, neste manual, que ficará em vigor durante 6 anos, os conteúdos de transição devem ser tratados:

- Integrados com os restantes conteúdos?
- À parte, em volume separado dos restantes conteúdos?
- Outra solução? Qual?

Vote e envie-nos o seu comentário.

Comentários (9)
(Comentário mais recente)
Sendo o manual escolar um instrumento de trabalho dos alunos, deve apresentar um fio condutor dos conteúdos para facilitar a aprendizagem dos alunos, por isso, considero que os conteúdos de transição sejam integrados nos restantes, independentemente da fase de transição.
Penso que os conteúdos de transição deverão surgir integrados com os restantes conteúdos mas com algum destaque (cor, por exemplo) realçando que se trata de uma integração necessária durante 4 anos.
Na minha opinião os conteúdos de transição deveriam ficar integrados com os restantes conteúdos. Num tópico denominado "conhecimentos prévios" ou algo do género.
Tenho falado com bastantes colegas sobre como poderiam ser integrados no manual os conteúdos não abordados (que transitaram para o 2.º ciclo), e a maior parte concorda que estes sejam colocados junto dos que estão a ser leccionados no momento. Penso que ao estarem próximo dos novos conteúdos os temas não leccionados facilitarão o processo de aprendizagem dos alunos. Ao estarem coloc (...) [Comentário completo]
No entanto penso que estes [conteúdos de transição] deveriam aparecer em destaque alertando para o facto de só serem necessários durante 4 anos. Se aparecerem num volume à parte vai-se dispersar a importância e a necessidade de os trabalhar.
Integrados? | Enviado Por: Anabela Gaio

Considero que seria importante colocá-los [os conteúdos de transição] em destaque no manual como aprendizagens que teriam sido feitas no 1º ciclo (no inicio isso não sucederá) e num volume à parte (se existir) aparecerem sugestões de como integrar esses conteúdos (tópicos) - sugestões para o professor.

Serão os conteúdos de transição algo que após seis anos vão deixar de ser trabalhados ou a sua exigência na aprendizagem será algo que perderá valor ou interesse? Não me quer parecer. Ideias e conceitos que levam a novas ideias e conceitos serão sempre algo de fundamental na matemática. Claro que na criação de um manual para o 5º ano, não será muito viável manter os conteúdos do 1º (...) [Comentário completo]
Analisando o programa e tendo em consideração que o manual terá um período de vigência superior ao período de transição do programa, parece-me que os conteúdos devem estar integrados no manual, mas com uma clara identificação (pictórica ou cromática, por exemplo) de modo a que nos anos posteriores não gere confusão nos alunos. Isto porque que o manual é, também, um importante guia d (...) [Comentário completo]
Depois de uma análise ao novo programa, verifiquei que há conteúdos de transição que pertencem aos 1º e 2º anos do 1º ciclo (por exemplo, os diagramas de Venn e de Carroll e diferentes significados das fracções) e outros que pertencem aos 3º e 4º anos (por exemplo, a leitura e interpretação de dados apresentados em tabelas e gráficos envolvendo números racionais), que estão muito di (...) [Comentário completo]