
Em 2007 foi aprovado o novo programa do ensino básico. Este documento irá constituir uma referência indispensável ao ensino da matemática alargando o espectro das experiências matemáticas dos nossos alunos, o que implicará, sem dúvida, um desafio aos professores.
Numa análise profunda do programa anterior (1990/91) e do novo programa, não encontramos ideias fundamentais muito diferentes; encontramos, sim, realces a aspectos fulcrais da educação matemática e uma forte coerência de princípios ao longo dos três ciclos de escolaridade, apresentando finalidades e objectivos comuns.
Este novo programa defende uma articulação entre ciclos valorizando três capacidades transversais: a resolução de problemas, o pensamento matemático e a comunicação.
Relativamente aos temas matemáticos, no 2.º ciclo o programa organiza-os em quatro áreas: números e operações, álgebra, geometria e organização e tratamento de dados.
Capacidades transversais
A aprendizagem da matemática inclui, para além dos conceitos, técnicas e procedimentos, um vasto leque de capacidades e processos. Há mais de 30 anos que as comunidades nacional e internacional da educação matemática reconhecem que a resolução de problemas deve ser o cerne das aprendizagens dos vários tópicos do currículo. No entanto, a perspectiva de partir da resolução de problemas para o início da abordagem dos temas é relativamente recente. Bons problemas, especialmente escolhidos para um determinado assunto, permitem experiências de aprendizagem ricas e significativas. A explicitação das estratégias de resolução e a sua partilha com os colegas é um dos passos do ensino através da resolução de problemas, a que se seguirá a formalização e a prática, sendo fundamental a flexibilidade do cálculo escrito e mental.
Deste modo, a comunicação escrita e oral dos alunos torna-se parte integrante deste processo, permitindo aos alunos argumentar e assim organizarem o seu próprio pensamento, comparando o seu modo de pensar com o dos colegas e com o do professor, que tem, evidentemente, um papel fulcral na gestão da comunicação.
As representações matemáticas constituem uma parte importante da aprendizagem; saber relacioná-las e pensar sobre elas vai permitindo a apropriação consciente da sua relação com os conceitos e as ideias a que dizem respeito. A matemática não se resume, como infelizmente ainda alguns consideram, a uma série de regras e de contas. Ela é uma disciplina escolar do ensino básico que promove o desenvolvimento do pensamento matemático, indispensável para o prosseguimento de estudos em qualquer área do saber.
Conteúdos matemáticos
Apesar de os temas matemáticos do novo programa serem semelhantes aos indicados pelo currículo nacional, distinguem-se dos programas anteriores na medida em que se valoriza:
1. a organização e tratamento de dados;
2. a álgebra, enfatizando a importância do desenvolvimento do pensamento algébrico;
3. os números e as operações numa perspectiva do desenvolvimento do sentido do número;
4. a visualização e as transformações geométricas com o intuito de se desenvolver o sentido espacial na geometria.
Nos números e operações surge como novidade, dentro do tópico “números naturais”, o estudo dos números primos e compostos, a decomposição em factores primos, o mínimo múltiplo comum e o máximo divisor comum de dois números, os critérios de divisibilidade e a multiplicação e divisão de potências, este último tópico relegado para o 6.º ano. No tópico dos números racionais não negativos surge pela primeira vez uma abordagem às fracções, atendendo aos seus diferentes significados (quociente, relação parte-todo, razão, medida e operador), a ênfase às diferentes representações dos números (fracções, decimais, numerais mistos), a sua conexão e relação com a percentagem. Foca-se também a importância da reconstrução da unidade a partir de uma parte.
Na geometria, enfatiza-se a visualização e aparecem as simetrias com o propósito de se trabalhar as noções e as propriedades das reflexões, rotações e translações. O estudo dos ângulos alarga-se aos ângulos complementares e suplementares, verticalmente opostos e alternos internos. A soma dos ângulos externos de um triângulo é outra novidade e ainda as relações entre elementos de um triângulo: qualquer ângulo externo é maior do que qualquer dos ângulos internos não adjacentes; ao maior ângulo (lado) opõe-se o maior lado (ângulo).
A álgebra surge como um novo tema matemático a ser abordado explicitamente no 2.º ciclo. Sob o tópico “relações e regularidades”, é dada ênfase ao trabalho com padrões, sequências e regularidades.
Na organização e tratamento de dadossurge como novidade o trabalho com gráficos de linha e o diagrama de caule-e-folhas e o estudo dos extremos e amplitudes, havendo uma atenção mais focada do que anteriormente no pensamento probabilístico.
Na fase de transição entre o anterior programa e o novo programa (durante o presente e os próximos dois anos lectivos), há temas que terão de ser abordados no 5.º ano e que pertencem ao 1.º ciclo.
A este propósito, veja o recurso com informação-síntese, que disponibilizamos em anexo (e também em "Recursos de Apoio"), e diga-nos como prefere que os conteúdos de transição sejam abordados neste manual.
Em sua opinião, neste manual, que ficará em vigor durante 6 anos, os conteúdos de transição devem ser tratados:
- Integrados com os restantes conteúdos?
- À parte, em volume separado dos restantes conteúdos?
- Outra solução? Qual?
Vote e envie-nos o seu comentário.
Novo Programa de Matemática: o que há de novo? ]
Considero que seria importante colocá-los [os conteúdos de transição] em destaque no manual como aprendizagens que teriam sido feitas no 1º ciclo (no inicio isso não sucederá) e num volume à parte (se existir) aparecerem sugestões de como integrar esses conteúdos (tópicos) - sugestões para o professor.