
Uma criança desenvolve os seus conhecimentos de matemática quando mobiliza conceitos, os relaciona e usa símbolos para resolver problemas. Uma compreensão conceptual implica construir relações entre ideias e entre estas e os procedimentos (algoritmos e cálculo mental).
A aquisição de procedimentos e a flexibilidade de cálculo para obter resultados das operações revestem-se também de grande importância, mas não podem ser desligados das ideias a que dizem respeito.
O que é o raciocínio aditivo? Como o podemos desenvolver nas crianças?
O raciocínio aditivo é o raciocínio que é mobilizado na resolução de situações que implicam:
1. uma ou várias adições ou subtracções;
2. o reconhecimento da relação inversa entre as duas operações;
3. o conhecimento das suas propriedades;
4. o domínio de procedimentos inerentes ao cálculo de somas e diferenças.
Podemos considerar três grupos de problemas que implicam raciocínio aditivo: transformação, comparação e problemas de completar.
a) Problemas de transformação (juntando ou tirando): situações em que se relaciona o todo com as suas partes, implicando adicionar uma parte a outra para se obter um todo ou, então, subtrair uma parte a um todo para se obter a outra parte.
Exemplos:
- “A Maria tem no mealheiro 57,5 euros. No dia do seu aniversário os tios deram-lhe 25 euros. Quanto tem agora?” Neste problema é necessário obter o todo adicionando as partes;
- “O João tinha na sua colecção 180 berlindes. Deu 12 ao seu melhor amigo. Quantos berlindes tem o João agora?”. Aqui os alunos precisam de usar o esquema retirar, isto é, subtrair uma parte do todo para obter a outra parte.
b) Problemas de comparação: situações em que se comparam duas quantidades.
Por exemplo: “A Maria mede 1,35 m de altura e o irmão mede 1,63 m. Quanto é que o irmão mede a mais do que a Maria?”
Este tipo de problemas, que se resolvem através de uma subtracção, podem, no caso de envolverem números inteiros pequenos, ser resolvidos com uma adição.
Uma das estratégias das crianças do 1.º ano para resolver a situação “O meu irmão tem 10 anos e eu tenho 6 anos; quantos anos a mais tem o meu irmão?” é a seguinte: contam 7, 8, 9, 10, obtendo 4.
Evidentemente que é na apresentação de situações com números maiores ou números racionais não inteiros que se torna indispensável que os alunos percebam que o modelo matemático que resolve situações de comparação é a subtracção.
c) Problemas de completar (ficar igual): situações em que se tem de adicionar ou subtrair uma quantidade para se obter uma quantidade dada.
Por exemplo: “A colecção de livros da Maria consta de 75 exemplares. Ela já possui 27. Quantos faltam para completar a colecção?”
É importante que os professores, ao desenvolverem o raciocínio aditivo, não trabalhem sempre com problemas do mesmo tipo, porque desta forma os alunos deixam de raciocinar sobre cada situação e apenas imitam as soluções dos anteriores.
Para que os alunos atinjam uma compreensão mais avançada da adição e da subtracção, assim como da relação entre elas, sugere-se que não se trabalhem separadamente e que se diversifiquem os contextos.
O desenvolvimento do raciocínio aditivo pode ser observado claramente quando apresentamos aos alunos problemas mais complexos, como os da relação inversa da relação parte-todo, ou que exigem que utilizem propriedades das operações.
Por exemplo: “Na caixa dos caramelos, a Maria juntou um pacote de 25. Ao todo, na caixa, ficaram 62 caramelos. Quantos caramelos tinha a caixa?” ou “O José tinha alguns berlindes. Deu 24, tendo ficado com 35. Quantos berlindes tinha o José?”. Neste último exemplo conhecem-se as partes (o subtractivo e a diferença) e pretende-se saber o todo (o aditivo), estando patente a propriedade fundamental da subtracção: “o aditivo é igual à soma do subtractivo com a diferença”.
A aplicação do cálculo mental da adição e subtracção, permitindo o recurso às propriedades destas operações, reveste-se da maior relevância no desenvolvimento do raciocínio aditivo.
Apresentam-se, em anexo, exemplos de tarefas, uma de contexto e outra de cálculo, que se inserem no âmbito do raciocínio aditivo e que são representativas da tipologia que pensamos utilizar no manual.
Sobretudo no que se refere a novidades do Programa, como é o caso do raciocínio aditivo, são essenciais os seus comentários e sugestões!
Aguardamos, por isso, a sua opinião!
A EQUIPA
Raciocínio aditivo - tarefas ]
A tarefa “O dia do Ricardo” refere que ele passou ½ do seu dia a dormir e a fazer a higiene e as refeições, o que não deixa de ser verdade para uma grande parte de crianças de 10/11 anos. O raciocínio aditivo (multiplicativo, ou outro) pode ser incentivado pelo professor tanto em situações de problemas em contexto como em situações meramente formais. Por exempl (...) [Comentário completo]
Olá, Ana Filipa,
[Comentário completo]Agradecemos a sua colaboração no site e o seu reforço na ideia de que os cálculos devem, pelo menos numa primeira fase, inserir-se em contextos significativos. Também a distinção que faz entre o facto de os alunos saberem os algoritmos, mas não saberem quando devem usar uma determinada operação para resolver uma situação comprova uma realidade de muitos alunos (...)
Olá, equipa,
[Comentário completo]Não posso, obviamente, deixar de concordar que o cálculo fraccionário é fundamental. Mas, a proposta de exercício por mim comentada foi-nos apresentada como um exercício de raciocínio (não de cálculo fraccionário) e, ou o manual contém exercícios prévios que não obrigam ao domínio de determinadas ferramentas, ou, como já referi, entendo-o (exclusivamente na persp (...)
Olá, Nuno Vieira:
[Comentário completo]Mais uma vez agradecemos a sua colaboração neste projecto. Quando demos exemplos de tarefas, e mais precisamente de cálculo mental no âmbito do raciocínio aditivo, com fracções, foi intencional. Primeiro, porque o raciocínio aditivo é necessário quando os alunos resolvem problemas que implicam adições e subtracções com racionais fraccionários, não somente com (...)