RACIOCÍNIO MULTIPLICATIVO
Em discussão até 2009-10-11  |  Adicionar Comentário
Raciocínio multiplicativo é o raciocínio envolvido em situações de multiplicação, divisão, proporcionalidade e também em todo o trabalho com fracções.

A multiplicação é muitas vezes encarada simplesmente como uma adição sucessiva de parcelas iguais, e a divisão como uma subtracção sucessiva.
Na verdade, multiplicar e dividir é muito mais exigente do ponto de vista cognitivo do que adicionar e subtrair.


Quais são, então, as principais diferenças entre o raciocínio aditivo e o raciocínio multiplicativo?


Vejamos um exemplo que ilustra bem a distinção entre os dois tipos de raciocínio:

“Uma pessoa investe numa banco A, onde por cada 2 euros recebe 8 euros, e noutro banco, B, onde por cada 6 euros recebe 12 euros. Em qual dos bancos é mais proveitoso investir? Ou é indiferente?



Os alunos com raciocínio aditivo referem que é igualmente proveitoso investir no banco A ou no banco B, visto a diferença entre o capital investido e o recebido ser sempre igual a 6. As crianças com raciocínio multiplicativo percebem que no banco A o retorno é o quádruplo do dinheiro investido e no banco B é somente o dobro e, portanto, é mais vantajoso investir no banco A.

Na adição e subtracção existe uma só variável (ao adicionar 24 caramelos a 12 caramelos obtém-se 36 caramelos), envolvendo relações de quantidades que juntas formam um todo. No caso da multiplicação, temos duas variáveis envolvendo relações fixas entre cada par de valores, ou seja, envolvem quantidades que apresentam uma relação (razão, quociente) constante entre si.

Vejamos outros exemplos:

a) Se cada caixa de ovos tem 6 ovos, 5 caixas terão 5 vezes mais – variável número de caixas e variável número de ovos, envolvendo uma relação fixa entre os valores das duas variáveis que é o número de ovos por caixa.
Podemos enunciar 3 tipos de problemas neste contexto:

1.
quantos ovos têm 5 caixas, se cada uma tem 6 ovos?
2. de quantas caixas necessito para arrumar 30 ovos, de tal forma que cada uma tenha 6 ovos? (divisão por medida);
3. distribuindo igualmente 30 ovos por 6 caixas, quantos ovos terá cada caixa? (divisão por partilha).

b) O problema “1 kg de maçãs custa 0,80 €, quanto custam 2 ½ kg?” envolve a correspondência entre valores de uma grandeza (peso) com valores de outra grandeza (dinheiro), ou seja, se 1 kg custa 0,80 €, 2 ½ kg custarão 2 ½ vezes mais aquele preço (0,80 €)”.


Como podemos desenvolver nos alunos o raciocínio multiplicativo?

O raciocínio multiplicativo é um processo que pode ser desenvolvido através das experiências que o professor proporciona aos seus alunos.
A multiplicação prende-se com a adição e é importante que se parta dela, mas depois é fundamental evidenciar as duas variáveis e a relação multiplicativa entre elas. Porém, dado que a multiplicação e a divisão estão relacionadas, não devemos separar o seu estudo.
A multiplicação por um escalar – encontrar o dobro, o triplo, a metade, a terça parte de números, etc. – deverá fazer parte de problemas a colocar às crianças desde os primeiros anos de escolaridade.
Também situações de disposição rectangular e de área se revestem de especial importância. Por exemplo, situações do tipo “se a área de um rectângulo for igual a 24 e o seu comprimento medir 8 m, quanto medirá a largura?” permitem que o aluno procure o número que multiplicado por 8 tenha como resultado 24, e o possa encontrar através de um raciocínio multiplicativo, seja dividindo 24 por 8 seja através da multiplicação, procurando mentalmente o número em falta no produto ? x 8 = 24.


As tabelas de razão como facilitadoras do raciocínio multiplicativo

Voltando ao exemplo anterior, que relaciona duas grandezas (peso e dinheiro), o recurso a tabelas é muito adequado, precisamente porque proporciona de um modo muito compreensível a relação entre valores de duas grandezas e a relação constante entre elas (0,80).



Se multiplicamos 1 por 2 ½, teremos de multiplicar também 0,80 pelo mesmo número. Ou se multiplicarmos 1 por 0,80, multiplicaremos 2 ½ por 0,80.
Problemas elementares de multiplicação e divisão são, na realidade, problemas simples de proporção entre duas grandezas (neste caso, a constante é o preço por quilo).

Para que se desenvolva efectivamente o raciocínio multiplicativo nos nossos alunos é importante que se lhes proponha a realização de tarefas diversificadas que evidenciem que a divisão é a operação inversa da multiplicação. Estamos também a contribuir para o desenvolvimento do raciocínio proporcional, na medida em que se estabelece uma razão constante entre cada par de valores das duas variáveis em jogo.


Em anexo disponibilizamos um dos exemplos de tarefas, relacionadas com o raciocínio multiplicativo, que pensamos incluir no manual.

Envie-nos o seu comentário e/ou sugestões! A sua opinião é importante para nós!

A EQUIPA

Comentários (14)
(Comentário mais recente)
Um comentário | Enviado Por: Anabela Gaio
Concordo com muitas das ideias apresentadas neste espaço de comentários. As duas tabelas deviam surgir em separado e deveriam ser dadas preenchidas as 2 primeiras linhas. Acrescento a sugestão de solicitar ao aluno que descubra o preço de uma caixa. Outro aspecto que este tipo de tarefa pode potenciar é a realização de relatório escrito, com a explicitação do raciocínio utilizado.
Continuo a achar muito interessante a inclusão de textos de apoio para os professores. Em relação a este texto, penso que o exemplo dos bancos deveria incluir uma referência ao tempo em que decorrem aquelas duas operações, que deve ser o mesmo. Depois, para o exemplo ser mais real, apontar aí para, por exemplo, uns 40 anos... ou, simplesmente, ao fim do mesmo tempo. Sobre a tarefa, (...) [Comentário completo]
Em relação à tarefa que aparece como exemplo do raciocínio multiplicativo penso que na tabela deveriam aparecer as 2 primeiras linhas completas para permitir que os alunos estabeleçam as relações de forma autónoma. A aplicar em sala de aula exploraria uma tabela de cada vez.

Olá, Dora Domingues,
Obrigada por ter partilhado connosco a sua experiência. Por vezes, achamos que os nossos alunos não são capazes e afinal revelam-se tão capazes como os melhores! Sabe, acreditamos que os alunos todos sabem alguma coisa em relação a uma tarefa que lhe ponhamos à frente para resolver; o que é preciso é “ir lá buscar” o que é necessário para eles continuarem (...) [Comentário completo]

Olá, António Mendonça,
Consideramos a sua sugestão muito a propósito! Pensamos que as extensões (modificar os números do problema, por exemplo) das tarefas que o professor fará, adaptando ao nível dos seus alunos, é fundamental. A receita dos pastéis pode inserir-se na proporcionalidade e, portanto, implica raciocínio multiplicativo, mas não tem que ser somente trabalhada no (...) [Comentário completo]

Tenho desenvolvido diversas actividades de investigação deste tipo com os meus alunos e considero que muitos não terão dificuldade em retirar conclusões. Muitas vezes o difícil e conter-lhes o entusiasmo quando acham a actividade interessante. Não quero com isto dizer que não devam ser incluídas algumas questões orientadoras de observação e análise para alunos com algumas dificuldad (...) [Comentário completo]
Aproveito para sugerir que, nesta actividade, não se contemple somente alguns múltiplos de 6 (12 e 24), pois ao contemplar o 12, por exemplo, o aluno dobra os ingredientes, o que é bastante básico. Ao contemplar o 24 dobra o 12 que já fez, ou seja, só trabalha dobros? Poder-se-ia tirar partido de outros valores como o 9 (receita original mais meia receita) e uma coluna com a quantid (...) [Comentário completo]
Olá, Tiago,
Teremos em conta a sua sugestão e iremos adaptar e colocar o seu problema no manual. Obrigada pela receita. Já agora, será que com esta receita (que ouvimos dizer é secreta...) os pastéis ficam tal e qual os de Belém? A EQUIPA

Olá, Ricardo Vicente,
Concordamos completamente consigo. Os múltiplos e os divisores são tópicos do programa (um dos temas que terão de ser trabalhados durante os anos de transição no 2.º ciclo) que implicam raciocínio multiplicativo. Aliás, é um dos motivos porque, de acordo com a vontade expressa pelos votantes deste site, aderimos ao percurso A. Iniciaremos com os múltiplos (...) [Comentário completo]

Contexto | Enviado Por: Sílvia Alves
Concordo com a colega Ana Silvestre e penso que, de facto, o contexto deve ser mudado para alunos de 5.º ano. Apesar de eu entender o objectivo da tarefa, penso que é mais interessante para os alunos encararem o enunciado como um problema, algo que realmente precisassem de resolver no seu dia-a-dia. Assim, ao apresentar os dados numa tabela podemos estar a explorar a leitura e inter (...) [Comentário completo]
Parabéns pelo texto de apoio. Tarefa: Não simpatizei com o contexto, parece-me algo rebuscado tendo em conta a faixa etária dos alunos e a sua experiência em compras. Também penso que se o objectivo da tarefa se foca na exploração de relações multiplicativas então é mais importante concentrar a atenção dos alunos numa só situação (tabela) e apresentar a outra tabela posteriormente (...) [Comentário completo]
Questão aberta | Enviado Por: Nuno Vieira
Também eu concordo que questões abertas, especialmente em turmas grandes, podem conduzir a respostas como: a caixa maior leva mais CD, que é válida, de acordo com os dados. Contrariar o aluno é desmotivá-lo, anuir é desviarmo-nos do objectivo. Por outro lado, poderia haver mais uma linha preenchida, auxiliava o aluno a compreender o objectivo do exercício. Aceito que esta avaliação (...) [Comentário completo]
Parece-me de extrema importância, aquando do desenvolvimento da competência Raciocínio multiplicativo, fazer a respectiva articulação, por exemplo, com com os conteúdos múltiplos e divisores. Relacionar os diferentes conteúdos é essencial para uma plena aquisição das diferentes competências por parte dos nossos alunos. Este papel cabe ao professor mas também deverá ser uma das funçõ (...) [Comentário completo]
Nesta actividade, penso que deveriam ser colocadas algumas questões adicionais de exploração, para que os alunos possam descobrir as relações pretendidas, ou então terá que ser o professor o grande orientador da actividade (não fomentando a autonomia), pois a questão «Que conclusões podes tirar?» é muito aberta, e os alunos desta faixa etária necessitam, na minha opinião, de algumas (...) [Comentário completo]