Como reacção ao Movimento da Matemática Moderna, a resolução de problemas tem vindo a ser enfatizada nos programas portugueses desde os anos 90. Não sendo, pois, uma novidade, a RP é bastante valorizada no Novo Programa de Matemática. O que pode ser novidade é o modo como a RP é entendida agora: o seu sentido é mais alargado com tarefas que implicam o aluno num processo pessoal de mobilização de conhecimentos, muitas vezes para iniciar a aprendizagem de novos tópicos.Acontece que nem sempre a RP tem feito parte integrante do dia-a-dia da sala de aula de Matemática, sendo encarada como um complemento em clubes ou oficinas de matemática ou como o problema da semana. Nessa perspectiva, a RP pode ser vista exclusivamente como um processo que permite desenvolver certas capacidades no aluno, como o raciocínio lógico, o que já por si é muito positivo. Mas a RP pode ser ainda uma metodologia de ensino: ensinar através da RP, na descoberta de um novo conceito e de novas relações.
No novo programa de Matemática, a RP é considerada como uma das capacidades transversais, articulando-se com outras capacidades matemáticas, como o raciocínio e a comunicação, e deve ser trabalhada em todos os temas matemáticos. Fomenta-se a RP de forma continuada com tipos e contextos variados, levando o aluno a utilizar as suas próprias estratégias de resolução.
No NPM está explícito que a resolução de problemas pressupõe a realização, com sucesso, de várias etapas: assim, o aluno deve compreender o problema (identificando a informação adequada), deve definir um plano (seleccionando estratégias e recursos apropriados), deve aplicar o plano (pondo em prática as estratégias escolhidas) e, por fim, deve verificar soluções e rever processos.
Quais as vantagens do ensino da Matemática no 2.º ciclo através da resolução de problemas?
Antes de mais, a RP permite dar sentido à matemática que as crianças vão aprendendo ao longo da sua vida escolar; permite que novos conhecimentos ancorem em conhecimentos anteriores, que os expanda e os aprofunde; por fim, promove a comunicação matemática. Esta comunicação tem como objectivo fomentar as interacções entre todos os intervenientes da aula, de modo a definirem-se estratégias a seguir para a realização do problema e, posteriormente, permitindo fazer a avaliação de soluções.
Como e quando recorrer à resolução de problemas no 2.º ciclo?
Podemos recorrer à resolução de problemas para:
- iniciar um tópico matemático;
- consolidar e desenvolver um tópico matemático;
- aplicar um tópico matemático.
Qual o papel do professor na resolução de problemas?
- Criar um ambiente de aprendizagem propício à descoberta, onde os alunos explorem, interajam, comuniquem e discutam uma larga variedade de situações.
- Seleccionar bons problemas que desafiem os alunos a pensar e permitam o recurso a estratégias pessoais diversificadas.
- Dar tempo suficiente para que os alunos possam explorar.
- Aceitar respostas correctas e respostas incorrectas. Neste último caso, usá-las para clarificar.
- Ajudar os alunos, colocando questões que os levem a reflectir sobre as suas estratégias, evitando dar as respostas.
- Promover a partilha de estratégias e resoluções com a turma.
O que é um bom problema?
Há quem considere que um bom problema ajuda os alunos a fazer boas generalizações de conceitos e de regras, a fazer abstracções, permitindo-lhes desenvolver a autoconfiança na sua capacidade de pensar matematicamente. Concorda?
Apresentam-se, em anexo, exemplos de duas tarefas, que se inserem no âmbito da resolução de problemas e que pensamos utilizar no manual.
Os seus comentários e sugestões são importantes!
A EQUIPA
Resolução de problemas - tarefas ]
Olá, Maria José!
Obrigada pela sua sugestão de melhoramento do enunciado da tarefa dos divisores de um número. Na verdade, como estava podia, eventualmente, parecer que um grupo diferia não pelo número de alunos mas pelos alunos que o compunham. A EQUIPA
Olá, Dora!
Também concordamos que os contextos facilitam em muito a resolução de uma tarefa, mas, neste caso, foi intencional não haver contexto. Os alunos precisam de, a pouco e pouco, se irem libertando de problemas em contexto, porque este tipo de tarefas também faz falta para se prepararem para um pensamento mais formal. Agradecemos a sua colaboração para este debate.
Olá, Helena Rodrigues!
[Comentário completo]Obrigada pelo enriquecimento que trouxe à tarefa dos hexaminós; não propriamente à tarefa, mas ao modo como o professor a pode explorar em sala de aula. Na verdade, há vários modos de a resolver, mas por vezes só nos apercebemos de algumas estratégias quando vemos os alunos em acção. E como diz, o aluno pode, neste caso, mobilizar o raciocínio aditi (...)