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RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS (RP)
Em discussão até 2009-10-18  |  Adicionar Comentário
Como reacção ao Movimento da Matemática Moderna, a resolução de problemas tem vindo a ser enfatizada nos programas portugueses desde os anos 90. Não sendo, pois, uma novidade, a RP é bastante valorizada no Novo Programa de Matemática. O que pode ser novidade é o modo como a RP é entendida agora: o seu sentido é mais alargado com tarefas que implicam o aluno num processo pessoal de mobilização de conhecimentos, muitas vezes para iniciar a aprendizagem de novos tópicos.

Acontece que nem sempre a RP tem feito parte integrante do dia-a-dia da sala de aula de Matemática, sendo encarada como um complemento em clubes ou oficinas de matemática ou como o problema da semana. Nessa perspectiva, a RP pode ser vista exclusivamente como um processo que permite desenvolver certas capacidades no aluno, como o raciocínio lógico, o que já por si é muito positivo. Mas a RP pode ser ainda uma metodologia de ensino: ensinar através da RP, na descoberta de um novo conceito e de novas relações.
 
No novo programa de Matemática, a RP é considerada como uma das capacidades transversais, articulando-se com outras capacidades matemáticas, como o raciocínio e a comunicação, e deve ser trabalhada em todos os temas matemáticos. Fomenta-se a RP de forma continuada com tipos e contextos variados, levando o aluno a utilizar as suas próprias estratégias de resolução.

No NPM está explícito que a resolução de problemas pressupõe a realização, com sucesso, de várias etapas: assim, o aluno deve compreender o problema (identificando a informação adequada), deve definir um plano (seleccionando estratégias e recursos apropriados), deve aplicar o plano (pondo em prática as estratégias escolhidas) e, por fim, deve verificar soluções e rever processos.


Quais as vantagens do ensino da Matemática no 2.º ciclo através da resolução de problemas?
 
Antes de mais, a RP permite dar sentido à matemática que as crianças vão aprendendo ao longo da sua vida escolar; permite que novos conhecimentos ancorem em conhecimentos anteriores, que os expanda e os aprofunde; por fim, promove a comunicação matemática. Esta comunicação tem como objectivo fomentar as interacções entre todos os intervenientes da aula, de modo a definirem-se estratégias a seguir para a realização do problema e, posteriormente, permitindo fazer a avaliação de soluções.


Como e quando recorrer à resolução de problemas no 2.º ciclo?

Podemos recorrer à resolução de problemas para:
- iniciar um tópico matemático;
- consolidar e desenvolver um tópico matemático;
- aplicar um tópico matemático.


Qual o papel do professor na resolução de problemas?

- Criar um ambiente de aprendizagem propício à descoberta, onde os alunos explorem, interajam, comuniquem e discutam uma larga variedade de situações.  
- Seleccionar bons problemas que desafiem os alunos a pensar e permitam o recurso a estratégias pessoais diversificadas.
- Dar tempo suficiente para que os alunos possam explorar.
- Aceitar respostas correctas e respostas incorrectas. Neste último caso, usá-las para clarificar.
- Ajudar os alunos, colocando questões que os levem a reflectir sobre as suas estratégias, evitando dar as respostas.
- Promover a partilha de estratégias e resoluções com a turma.


O que é um bom problema?

Há quem considere que um bom problema ajuda os alunos a fazer boas generalizações de conceitos e de regras, a fazer abstracções, permitindo-lhes desenvolver a autoconfiança na sua capacidade de pensar matematicamente. Concorda?



Apresentam-se, em anexo, exemplos de duas tarefas, que se inserem no âmbito da resolução de problemas e que pensamos utilizar no manual.

Os seus comentários e sugestões são importantes!

A EQUIPA
Comentários (11)
(Comentário mais recente)
Aplicação de um bom problema | Enviado Por: verap
Concordo com a ideia sobre um bom problema, pois permite aos alunos um envolvimento cooperante e estruturante do seu conhecimento. A comunicação resultante de toda a interacção entre os diversos intervenientes da aula permite debater ideias, definir estratégias a seguir para a realização do problema e, posteriormente, para fazer a avaliação de soluções, o que proporciona nos alunos (...) [Comentário completo]
RP | Enviado Por: judite rocha
Um bom problema será aquele que antes de mais estimula à sua resolução e depois se mantém desafiante ao longo de toda a linha. Um bom RP antecipa o prazer de o resolver criando em quem o resolve uma forte necessidade de encontrar a solução.
Sobre o COM. de Maria José Bóia | Enviado Por: A Equipa

Olá, Maria José!
Obrigada pela sua sugestão de melhoramento do enunciado da tarefa dos divisores de um número. Na verdade, como estava podia, eventualmente, parecer que um grupo diferia não pelo número de alunos mas pelos alunos que o compunham. A EQUIPA

Sobre a tarefa "As turmas da Ana e do David" | Enviado Por: Maria José Bóia
Acho que é uma tarefa interessante para iniciar o estudo dos divisores. No entanto, a pergunta parece-me um bocado confusa. Sugeria que a pergunta fosse: "Em qual das turmas se podem fazer mais grupos diferentes, variando o número de alunos por grupo". Pretende-se não o número absoluto de grupos que se podem fazer mas antes questionar o número de tipos de grupo que se podem fazer. (...) [Comentário completo]
Bons problemas | Enviado Por: Andreia Salgueiro
Concordo com a ideia apresentada sobre o que é um bom problema, que permita generalizar e inclua implicitamente o conceito a apreender; no entanto, é necessário um conhecimento muito sólido por parte do professor, para que seja capaz de abranger o maior número de estratégias possíveis que possam ser apresentadas pelos alunos (mesmo prever estratégias erradas) e encaminhar o raciocín (...) [Comentário completo]
Sobre o COM. de Dora Domingues | Enviado Por: A Equipa

Olá, Dora!
Também concordamos que os contextos facilitam em muito a resolução de uma tarefa, mas, neste caso, foi intencional não haver contexto. Os alunos precisam de, a pouco e pouco, se irem libertando de problemas em contexto, porque este tipo de tarefas também faz falta para se prepararem para um pensamento mais formal. Agradecemos a sua colaboração para este debate.

Sobre o COM. de Helena Rodrigues | Enviado Por: A Equipa

Olá, Helena Rodrigues!
Obrigada pelo enriquecimento que trouxe à tarefa dos hexaminós; não propriamente à tarefa, mas ao modo como o professor a pode explorar em sala de aula. Na verdade, há vários modos de a resolver, mas por vezes só nos apercebemos de algumas estratégias quando vemos os alunos em acção. E como diz, o aluno pode, neste caso, mobilizar o raciocínio aditi (...) [Comentário completo]

Concordo com a questão apresentada, mas acrescentaria um ponto que considero muito importante: o contexto. De acordo com a minha experiência, o contexto deve ser familiar, estimulante e do agrado dos alunos. Será esse factor que determina que mesmo os alunos com mais dificuldades se envolvam e que os que têm melhores competências não se desinteressem. Em suma, deve ser rico o sufici (...) [Comentário completo]
Rentabilizar cada tarefa | Enviado Por: Helena Rodrigues
Gosto muito de ambas as tarefas. Na dos hexaminós é interessante se os alunos chegarem à generalização, mas eles também podem observar que, ao juntarem um novo hexaminó, o perímetro dos dois lados menores se mantém (sendo sempre cada lado 3), precisamente por causa do encaixe e por isso para cada hexaminó basta somar os 6 lados de quadrícula (3 de cada lado). É um raciocinio que me (...) [Comentário completo]
As tarefas apresentadas no manual são excelentes: a resolução de problemas é sempre importante no processo ensino-aprendizagem e espero que com este novo programa se torne uma prática quotidiana, na sala de aula, de todos os professores de matemática.
Formação de grupos | Enviado Por: António Mendonça
Acho a actividade bastante interessante, pois as maneiras para chegar a uma resposta são muito diversas, pelo que, do ponto de vista de exploração em sala de aula, vai ser muito rico. Bom trabalho a todos!