Hoje em dia fala-se muito em cálculo mental, e o NPM dá-lhe um relevo especial.
Muitos investigadores, ligados à Educação Matemática, e professores consideram-no como um cálculo aritmético, habilidoso e flexível, baseado no conhecimento dos números e das suas relações.
Os alunos desenvolvem o sentido de número e das suas relações quando reconhecem a grandeza absoluta e relativa dos números, o efeito das operações e ainda as suas propriedades. Ao levarem a cabo um cálculo mental, vão ter de mobilizar um tipo de raciocínio, escolher um método favorável (por exemplo, o recurso a uma propriedade de uma operação), decompor um número ou mesmo trabalhar com valores aproximados.
No Programa de Matemática do Ensino Básico (ME, 2007), alerta-se para a necessidade do desenvolvimento do cálculo mental, considerando-o como um dos aspectos a privilegiar neste ciclo de ensino. Assim, sugere-se que os professores recorram a situações que suscitem a estimação do resultado das operações envolvidas antes da realização dos cálculos e que considerem a utilização das propriedades das operações. Enfatiza-se que um bom domínio do cálculo mental, tanto exacto como aproximado, tem implicações no desenvolvimento da autoconfiança e desembaraço dos alunos, essenciais para a aprendizagem dos números e operações, bem como para a resolução de problemas.
De salientar que o NPM releva que o estudo do tema “Números e Operações” tem como base três ideias centrais: (i) promover a compreensão dos números e operações; (ii) desenvolver o sentido do número; (iii) desenvolver a fluência no cálculo (p. 7).
A prática sistemática de cálculo mental associado à estimação do valor dos resultados das operações promove, sem dúvida, o desenvolvimento do sentido do número e das operações.
Há vários mitos em relação ao cálculo mental, como se ele, só por si, fosse impeditivo do recurso a outros meios como os algoritmos ou a tecnologia. Pela nossa parte, defendemos que:
1. o cálculo mental não é o algoritmo efectuado na “cabeça”, e para praticar o cálculo mental podemos utilizar o papel e o lápis para apontar cálculos auxiliares intermédios;
2. o cálculo mental não impede que se aprendam os algoritmos ou se use a máquina de calcular;
3. o recurso ao cálculo mental não é um desperdício de tempo;
4. podem ensinar-se estratégias de cálculo mental.
Vantagens do cálculo mental
Ao calcular mentalmente, o aluno pode perceber que há diferentes caminhos na resolução de um mesmo problema. É pelo recurso ao cálculo mental que ele também aprende a realizar estimativas (perante a indicação de uma operação, imaginar um resultado aproximado) e perceber as propriedades das operações.
O desenvolvimento do cálculo mental é uma forma de se desenvolver a comunicação matemática na sala de aula, bem como o raciocínio matemático dos nossos alunos.
Finalmente, o cálculo mental permite um aprofundamento dos números, das operações e das relações entre as operações.
Em anexo poderá ter acesso a algumas tarefas relacionadas com o cálculo mental.
Gostávamos de saber a sua opinião sobre este tema, nomeadamente no que respeita às seguintes questões:
• Ensina-se a fazer cálculo mental?
• Que estratégias para o cálculo mental?
• Como implementá-lo na sala de aula?
A EQUIPA
Cálculo mental - tarefas ]
"Decompor números para encontrar produtos" - Relativamente a esta tarefa propnho que se alterem as questões (Será que este processo é sempre válido? Experimenta com mais exemplos) para : Escreve um exemplo e apresenta o modo como irias fazer a sua resolução/decomposição. Troca com o teu colega de carteira e analisem o que cada um fez. No caso da tarefa "as compras", não percebo o porquê de a resolução aparecer logo depois do enunciado. Será que falta algum texto (este foi o modo como o pai do João pensou) ou esta estratégia é um exemplo que devia constar das notas do professor? Relativamente ao texto e às questões propostas, sugiro: - se deixe que os alunos usem papel e lápis, sobretudo no início deste tipo de trabalho (para se entender uma estratégia, nada melhor do que registá-la passo a passo); - deve-se analisar e procurar alternativas de cálculo mais confortáveis para os alunos e depois procurar as mais eficientes; - não se deve promover uma repetição exagerada de exercícios; - devem-se promover espaços de tempo para as descobertas pessoais; - deve-se estimular a troca de ideias entre os alunos (como outro a explicar a estratégia do colega e vice-versa); - é necessário promover o domínio da tabuada e de operações básicas; - atenção que a velocidade nos cálculos deve ser uma consequência do trabalho desenvolvido e não um objectivo.