A COMUNICAÇÃO NA AULA DE MATEMÁTICA
Em discussão até 2009-10-25  |  Adicionar Comentário




A ênfase dada à comunicação na sala de aula de Matemática constitui um dos aspectos mais diferenciadores entre o NPM e o programa anterior.

No novo programa destaca-se a comunicação como uma das capacidades transversais a trabalhar em todos os temas matemáticos, articulada com outras capacidades matemáticas, como a resolução de problemas e o raciocínio matemático.
Advoga-se a comunicação de forma continuada, envolvendo as vertentes oral e escrita, incluindo o domínio progressivo da linguagem simbólica própria da Matemática.

No documento está explícito que a comunicação pressupõe que o aluno seja capaz de expressar as suas ideias, interpretar e compreender as ideias que lhe são apresentadas, e de participar de forma construtiva em discussões sobre ideias, processos e resultados matemáticos (p. 8).

O papel da comunicação na Matemática constitui um dos aspectos mais controversos no seio da comunidade de professores desta disciplina. Há quem defenda que a comunicação é específica de outras disciplinas e que em Matemática os alunos têm de ouvir o professor explicar, falando apenas para responder a perguntas que ele faça. Neste caso, comunicar por escrito resume-se apenas a fazer exercícios de aplicação da matéria apresentada. Outros, porém, argumentam que a comunicação é uma trave-mestra onde assenta toda a aprendizagem e que os alunos necessitam de escrever, de argumentar, de explicar e de ler matemática. Nesta óptica, os alunos têm um papel interveniente no que acontece na aula, podendo, inclusive, alterar o rumo do raciocínio dominante, apresentar alternativas e questionar.


Comunicação nas aulas de Matemática do 2.º ciclo - que vantagens?

Todos sabemos que os conceitos matemáticos “não se dão”. Desenvolvem-se num processo pessoal, por vezes com recuos, e necessitam de tempo. Para que as crianças possam dar sentido aos vários assuntos que vão aprendendo, precisam de os confrontar com conhecimentos que já possuem. Este confronto faz-se de uma forma mais eficaz participando em discussões, tanto em grande grupo (turma) como em pequenos grupos de trabalho, ouvindo as explicações e os argumentos do professor e dos colegas, e apresentando os seus. Também os registos escritos, sejam individuais ou de grupo, permitem uma reorganização do pensamento e, como tal, revestem-se de particular importância. Esta forma de comunicação escrita permite que os alunos apresentem a sua estratégia de resolução de uma dada tarefa e façam uma síntese onde apareçam realçados os aspectos mais importantes do que estão a aprender. Estes registos permitem, ainda, ao professor fazer uma avaliação do desenvolvimento dos conhecimentos dos seus alunos e detectar possíveis mal-entendidos.


Como estimular a comunicação na sala de aula?

Sendo a comunicação uma capacidade transversal no NPM, e sabendo que o professor faz toda a diferença numa sala de aula de Matemática, podemos referir alguns exemplos no sentido de estimular a comunicação na sala de aula:

  • criação de um ambiente de trabalho onde os alunos possam explorar, interagir com os colegas e com o professor e, sobretudo, se sintam à vontade para apresentar dúvidas e falar sem medo de errar;

  • apresentação de tarefas matematicamente ricas e que permitam uma variedade de estratégias de resolução, pedindo aos alunos para as explicitar. Não basta resolver um problema, é importante que digam ou escrevam como o resolveram. Muitas vezes um esquema que um aluno faz, na tentativa de resolver uma tarefa, facilita-lhe a compreensão das representações mais formais. A partilha de ideias na turma e o confronto de estratégias poderão alargar o entendimento que os alunos tenham sobre um determinado tema.
    Também os jogos, actividades lúdicas tão apreciadas pelas crianças, poderão constituir momentos de consolidação de certos tópicos e facilitar a comunicação no grupo ou em plenário;

  • questionar, de modo a incentivar a participação oral de todos alunos, fazendo-os reflectir nas suas próprias estratégias e evitando dar logo as respostas quando um aluno faz uma pergunta; remeter a pergunta para o aluno ou reformulá-la, se for caso disso, poderá ajudar o aluno a encontrar a resposta. A vantagem deste processo é o modo como ele irá interiorizar essa mesma resposta no contexto da situação que originou a pergunta;

  • solicitar a escrita de pequenos textos, que podem ser indicados para trabalho de casa. Estes textos podem ser sínteses de assuntos trabalhados na aula ou ser solicitados no âmbito de uma pesquisa sobre um determinado assunto. A “Geometria” ou a “Organização e Tratamento de Dados” são áreas do programa especialmente propícias a este tipo de tarefas;

  • solicitar o estudo através da leitura de partes do manual e da consequente elaboração de pequenas sínteses. O estudo da Matemática através da leitura, seja de textos fornecidos pelo professor seja de textos do manual, constitui também uma estratégia facilitadora da criação de hábitos de estudo e, por essa via, da comunicação escrita matemática.


Muitas das tarefas do manual prestam-se a uma exploração didáctica, ao nível da comunicação matemática, nos termos acima referidos.
Em anexo, apresentamos algumas delas.


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A EQUIPA

 

Comentários (8)
(Comentário mais recente)
Olá, Cristina!
Agrademos as suas sugestões de melhoramento das tarefas, com as quais concordamos completamente. No caso da expressão, no manual já aparecem outras do mesmo tipo com números mais pequenos e mais fáceis. Ali foi intencional dificultar um pouco. Parece-nos que o professor também terá de adaptar algumas tarefas aos seus alunos. Os muito bons também merecem atenção! < (...)
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Para o jogo dos sólidos faltam algumas indicações, por exemplo que um dos alunos deve ir escrevendo as questões que são colocadas. Para a segunda tarefa "escrever um texto" as indicações das notas do professor são diferentes do indicado na tarefa. Na tarefa "inventar um problema", a expressão apresentada devia ser mais simples. Devia-se começar por expressões mais simples que envolv (...) [Comentário completo]
O trabalho escolar em Matemática deve proporcionar aos alunos a discussão, a reflexão, a tomada de decisões e o confronto de opiniões e de pontos de vista. Segundo Skovsmose (2000), as tarefas com referência à realidade oferecem uma condição diferente para a comunicação entre o professor e os alunos, uma vez que faz mais sentido questionar e suplementar a informação dada pela tarefa (...) [Comentário completo]
Concordo completamente com a perspectiva apresentada pela equipa. A Matemática é essencialmente linguagem, uma invenção humana que permite representar, compreender e agir sobre o mundo que nos rodeia. Não desenvolver as diferentes formas de comunicação envolvidas é não ensinar matemática. É frequente alguns alunos não entenderem a linguagem corrente associada à matemática. A leitura (...) [Comentário completo]
Numerosos investigadores, nomeadamente Orton (1990), Truran (1994), Pimm (1987), Love (1996), Dickson e cols. (1991), Rotherry (1980), têm nos seus estudos feito referência à importância do domínio da terminologia matemática e a construção de significados matemáticos, que pela falta de domínio podem, por parte dos alunos, vir a gerar confusões e a não aquisição de conteúdos no futur (...) [Comentário completo]
Tenho aplicado todos os anos este tipo de tarefas. Os alunos demonstram grande interesse e empenho e gostam particularmente destas tarefas. Os jogos são, de facto, muito motivadores. É muito interessante a tarefa "Escreve um texto", pois desenvolve nos alunos a capacidade de comunicação, onde têm geralmente alguma dificuldade, e também porque os alunos consideram que na Matemática (...) [Comentário completo]
Comunicação | Enviado Por: Leonor Medina
A clareza da exposição do professor é fundamental. Os nossos alunos têm um vocabulário pobre e muitas das expressões e palavras por nós utilizadas não fazem parte da sua linguagem. Qualquer termo matemático utilizado deve ser explicado comparando-o com outras palavras do dia-a-dia. Dou como exemplos: fracção; oitavos - oito avos, oito porções; sete quintos - sete sobre cinco; ordem (...) [Comentário completo]
Cada ano lectivo que passa mais considero que a comunicação matemática é fundamental para a aprendizagem da matemática. Tarefas que permitem diferentes estratégias de resolução são situações privilegiadas dessa comunicação. Os alunos explicam a sua estratégia, esclarecem questões que os colegas ou o professor lhes colocam. Para a mesma tarefa os alunos explicam outra estratégia e (...) [Comentário completo]